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Actividades: o início da ALDRABA

As Primeiras Iniciativas: a Aldraba começa a mexer

Começar de novo e idealizar uma associação onde seja possível desbravar os caminhos da criatividade, da democraticidade, da cidadania e da partilha é um acto de coragem no reino da apatia e do porreirismo.
A "Aldraba" está a nascer do empenho destes sonhadores.
É uma associação que está a ser pensada há três meses.
À volta desta ideia, nascida em Novembro de 2004 e semeada em Montemor-o-Novo num almoço festivo, com duas dezenas de entusiastas, várias simpatias se manifestaram.

 
 
 

Montemor-o-Novo: os amigos, as aldrabas e a "ALDRABA"

Margarida Alves
in Blog “VEMOS, OUVIMOS E LEMOS”, 20 Nov. 2004

(Nota editorial: será no encontro de Montemor e depois na Assembleia-Geral Constituinte de 25 de Abril de 2005 que o nome definitivo, Aldraba – Associação do Espaço e Património Popular, será adoptado).

Manhã soalheira a prenunciar o dia em que, de nome indefinido, a proto-associação toma o nome de ALDRABA - Associação do Património Invisível.

Das duas dúzias de entusiastas progenitores do bambino, juntaram-se dezasseis em animada jornada de convívio, cumprindo uma prévia etapa de consolidação do projecto: Montemor-o-Novo.

Nas Grutas do Escoural, alcançadas depois de um percurso imposto pelo I.E.P., que nos obriga a um desvio de mais uns 30 km, somos recebidos pela Tânia, futura arqueóloga e voluntária ao serviço do IPPAR, que nos guia pelo estreito labirinto de estratificações e estalactites.

A Tânia sabe do que fala, esclarece e tira dúvidas, e até o J.P., na curiosidade dos seus seis anitos, mereceu resposta individualizada e esclarecedora.

De regresso a Montemor (um tanto aventuroso, ainda graças ao I.E.P.) reunimo-nos com a pintora Isabel Aldinhas e o marido, para retemperar forças e forrar o estômago com os primores gastronómicos saídos da cozinha da Ana Carina, no Restaurante Aviz.

A Ana desmultiplica-se em atenções, em petiscos, em sorrisos. A sopinha de cação, aromada de poejos, estava de comer e chorar por mais. A carne de forno na companhia de puré de castanhas, era um manjar de deuses. Os vinhos, néctares de fazer inveja a Baco ou Dionísio. A rematar, ainda a oferta de um Marquês de Montemor que apenas teve um senão: já não conseguimos bebê-lo até ao fim... Sobremesas e cafés por conta da casa. À despedida abraços de quem parece sempre ter-se conhecido e a promessa recíproca de outras visitas.

Tudo temperado com a boa disposição do grupo, a que não faltou um necessário "ponto da situação", pedra de toque indispensável para aferir o dinamismo da embrionária associação. A "ecografia" feita revela um bom desenvolvimento e uma grande vitalidade.

E quando tudo isto se passa num espaço revelador de bom gosto, paredes forradas de pinturas da Isabel numa exposição de seu tema "Vestígios Árabes", só podemos exultar!

Já a meio da tarde demandamos as ruas antigas da cidade, espreitando as aldrabas e batentes que muitas das portas ainda ostentam. O Luís Maçarico é desta vez o nosso guia, em redor deste inestimável e muitas vezes esquecido património. A noite cai e ainda nos deslumbramos diante de batentes em forma de cão-gato ou de tritão ou de golfinho e até de serpente.

Balançando entre a euforia e algum cansaço, arribamos por fim à "Fonte das Letras" onde, diante de um chá de jasmim e rodeados de livros que se deixam folhear sem pressas nem compromissos, encaramos de má vontade mas sem apelo nem agravo, o regresso, deixando o olhar na Torre do Anjo e um ramalhete de saudades no Largo de S. Sebastião...