O espaço de vivência da
comunidade é o espaço percebido por esta. Não
é invulgar diferentes pessoas de um mesmo grupo
interpretarem de modo diferencial o território
onde vivem, espaço que cruzam quotidianamente, e
onde investem e produzem.
O território é, porventura a
par da língua falada, o mais forte elo à “terra”,
à comunidade. Neste território multiplicam-se os
sítios, as particularidades naturais e
geográficas, os elementos de pertença e
identitários, as famílias e o trabalho. O
espaço é por isso a um tempo, símbolo e
resultado prático do quotidiano.
Um dos traços de coesão do
território face à comunidade é a sua
organização, aspecto hoje muito estudado nas
áreas ambientais e, sobretudo, do Ordenamento
Territorial. O planeamento do território
afirma-se hoje como uma mais-valia incontornável
para o bem-estar das populações e para a
preservação ambiental.
Por sua vez, o Ambiente, nas
suas múltiplas e complexas vertentes, é aquilo
que mais importa preservar para que os vindouros
possam desfrutar de um futuro harmonioso. Sem um
exagero cerceador ou exclusivista que impeça o
desenvolvimento de ”quem lá está há muito”,
importa que se identifiquem ameaças e se tomem
medidas para protecção do que é de todos.
Porque a apetência pelos
recursos é crescente, porque os bens naturais
são escassos e frágeis, a defesa ambiental, mais
do que uma causa, é um estado de espírito
colectivo.