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Aldrabas e batentes
Quantas
vezes passamos por pequenos objectos, como é o
caso das aldrabas e batentes de porta, ignorando
a sua história, o valor artístico e a
simbologia.
Utilizados ao longo de séculos, silenciados, nas
últimas décadas, com a campainha e o alumínio, o
batente e a aldraba caíram em desuso.
Aldrabas e batentes serviam para, batendo numa
espera metálica, anunciar visitas, servindo ao
mesmo tempo, consoante o design, para protegerem
a casa dos maus olhados e intenções duvidosas,
advertindo os intrusos para consequências
imprevisíveis, ao exibir sinais de poder.
O que distingue os dois objectos é que a aldraba
(do árabe Ad-Dabbâ), com a configuração do
contorno de um punho fechado, está ligada a uma
tranqueta, e ao rodar 90º a 180º graus, abre e fecha a
porta. Em Marrocos e na Tunísia, era costume
haver três aldrabas, com toques diferentes, para
os donos de uma casa saberem quem chegava: se um
homem, uma mulher ou uma criança.
O batente é muitas vezes uma argola, suportada
por uma cabeça de leão e também aparece avulso,
sob a forma de mão feminina (no Magreb, chamam a
este batente Mão de Fatma,a filha do profeta
Maomé, porque se crê que a mão ligada ao divino
protege). Pode ser ainda (de maneira estilizada)
golfinho-tritão, serpente, lagarto, mastim,
ferradura, ampulheta, lira, cabeça de Medusa,
etc. Ao contrário da aldraba, o batente não
roda, apenas bate na porta.
Os ferreiros são um ofício em extinção e aquelas
jóias do património já não podem ser executadas
com o primor dos artífices, nas mágicas forjas
de antanho.
Nos centros históricos das cidades, portas de
todas as cores em alumínio e puxadores dourados
abundam...

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