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Crença e religiosidade

  

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Crença e religiosidade


A religiosidade popular é uma questão ampla e complexa, relacionada com inúmeros aspectos culturais tradicionais, numa constante dialéctica entre modernidade e ancestralidade. Portugal, sobretudo nos meios mais rurais – como noutros países ou regiões de matriz cultural cristã – tem uma vasta ligação às tradições da Igreja católica, que em muitos casos se cruzam com com crenças e ritos anteriores ao cristianismo, o que está subjacente à sobrevivência dos aspectos mais marcantes da religiosidade popular. 

A religiosidade popular é um facto que acompanha a vida das comunidades, mais perto ou mais afastado da Igreja enquanto instituição. Tratam-se de expressões, gestos ou atitudes que expressam uma relação com o divino, em particular com a ideia de Deus: beija-se a cruz ou pede-se pela salvação das almas, arrumam-se ramos de plantas para celebrar a fertilidade, participa-se numa peregrinação, benze-se o pão ou os alimentos desenhando elementos gráficos protectores ou benfazejos, pintam-se ícones e marcas na proa das embarcações. 

No caso português a religiosidade, sob uma aparente agregação enraizada no catolicismo, manifesta-se na abrangência plural da sociedade portuguesa, entre a vivência do sagrado e do profano, independentemente das suas matizes de origem.

Com frequência a religiosidade popular afirma-se em oposição à oficial, sendo entendida por esta como uma forma híbrida, isto é, como uma forma inadequada do pensamento e da prática da religião oficial. 

É difícil precisar como se fundiram e encontraram este "imaginário", este "fantástico real", o culto do sagrado, onde se incluem conjuntos de superstições e gestos mágicos, onde com uma estruturação rigorosa do espaço geográfico e do calendário, continuam a permanecer as referências pagãs das grandes festas da Primavera e do Outono.